Nas trilhas do caminho Tudo tem seu tempo, sua hora, Sua alegria exata, seu sustento. Rosa in "Feito rio menino"


sábado, 24 de março de 2012

Breves são todas as cenas

Breves cenas ou cenas breves?
Que são as cenas senão breves instantes de brisa leve,
 de leve enlevo, breve, brevíssimo,
quase um verso travesso?...

Na mistura das cores, aromas, sabores,
Geografias e canduras,
Breves sentires,
Sutis nas luzes,
Quase um sopro no cangote
Da doçura...
Breve, suave feito brevidade..hum
Delícia!

O que são breves?
As cenas, as dores, os amores,
A sagrada presença da beleza?
A delicadeza do encontro
Neste instante?

O instante a cada piscar de olhos
Me invade os olhos, os ouvidos, os sentires
Sentindo, pulsando, vivinhos ao vivo,
Eu da platéia me transporto ao palco
Num fio de singeleza breve,
Mágico e solene.
Encantado!

Vejo, sinto cenas, breves cenários,
Fragmentos, retalhos de folhas,
Bolhas de sabão coloridos,
Pessoas, aromas de flores, amores idos,
Vividos, chegando...enfim!

Reencontro vales, mosteiros, bibocas,
Sons d’ alma minha vibrando
Junto ao peito, aos olhos sem piscar,
o tango, a modinha, a cantiga de roda a girar
mente afora, alma adentro, amor

Breve o instante que se urge mostrar
Tal  qual o riso, a risada e  o som da voz
De quem se ama, se sente saudade, se quer coladinho
À alma sempre...

O silêncio eloqüente, cena para quem apenas sente a vibração
do sentir mais fundo, não importa...o que fica são
Os instantes brevíssimos,
Cheios de significado e emoção
Feito canção, lágrima ou poesia

Que eu, refazendo algumas cenas
Que de tão breves me refazem o cotidiano
Num flash de harmonia, respiro, enfim!
Instante mágico,
Breve cena da vida costumeira,
Porém com um tom de arte, artesanato
Arte feito a mão, a quatro mãos, com a alma
Generosa de aromada floresta, seresta, de canção ao luar...
Dessa arte que sara as feridas e recompõe a alma
De quem estava adormecido,

Note que  a vida tem o seu fragmento de encanto,
Recorte de breve cena de um sonho possível,
Compartilhado,
Desperta o carinho e os aplausos da platéia
Sedenta de breves porém mágicas cenas
de bom humor e emoção incontida

Pois a vida é bela mas também breve...

Em cena vejo a janela da emoção,
A sagrada entrega de claro-escuro e solar encantamento
De amor pela arte breve de saber no sabor de viver e iluminar
A consciência do lugar mesmo que as cenas sejam breves
Porém presentes de significado e alegria
No breve espaço de sentir – pulsar - dizer –saltar
Viajar...enfim
Nesta breve cena que hoje te comove
Em cena, amor.
Breve volto te ver, não chores.

Rosa Bautista 
//Dedicado com carinho a quem faz e prestigia
o quarto Festival Breves Cenas de Teatro
em Manaus//

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